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Isabelle Carapinha Advocacia

Por que o termo de consentimento genérico não protege o médico

Um TCLE copiado da internet costuma deixar de fora exatamente os riscos do procedimento que você realiza. Entenda o que torna o termo útil.

Capa do artigo: Por que o termo de consentimento genérico não protege o médico
Neste artigo
  1. O problema do modelo genérico
  2. O que um bom TCLE contém
  3. Como aplicar
  4. Erros que enfraquecem o termo
  5. O termo não é uma cláusula de isenção
  6. Quando revisar

O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) registra que o paciente recebeu as informações sobre um procedimento e concordou em realizá-lo. O Código de Ética Médica veda ao médico deixar de obter esse consentimento, salvo em risco iminente de morte. Na prática, muitos consultórios usam um modelo único para tudo — e é aí que o documento perde força.

O problema do modelo genérico

Um termo que fala em “riscos inerentes ao procedimento”, sem dizer quais são, pouco demonstra. Se surge uma complicação conhecida e ela não constava do documento, a discussão passa a ser se o paciente foi, de fato, informado.

O termo vale pelo que explica, não pela assinatura no fim da página.

O que um bom TCLE contém

  • descrição do procedimento em linguagem que o paciente entenda;
  • os riscos e complicações mais frequentes e os mais graves;
  • as alternativas de tratamento, quando existirem;
  • os cuidados antes e depois do procedimento;
  • espaço para dúvidas e para a identificação de quem explicou.

Como aplicar

O documento não substitui a conversa. O ideal é que o paciente receba o termo com antecedência, tenha tempo para ler e possa perguntar. Registrar no prontuário que essa conversa aconteceu reforça o consentimento.

Paciente menor de idade ou sem condições de decidir: o consentimento é dado pelo responsável legal, e isso precisa estar identificado no termo.

Erros que enfraquecem o termo

Alguns detalhes fazem o documento perder valor quando é analisado depois:

  • termo assinado minutos antes do procedimento, com o paciente já preparado;
  • ausência de data ou da identificação do médico que explicou;
  • linguagem excessivamente técnica, que o paciente não teria como compreender;
  • campos em branco preenchidos depois da assinatura;
  • um único termo para procedimentos com riscos muito diferentes.

Quanto mais o termo mostra que houve uma conversa real — com tempo, perguntas e respostas —, mais ele cumpre a sua função.

O termo não é uma cláusula de isenção

Um equívoco comum é tratar o TCLE como um documento que afasta a responsabilidade do médico. Ele não faz isso. O termo demonstra que o paciente conhecia e aceitou os riscos próprios do procedimento; não autoriza falha técnica nem dispensa os cuidados devidos. Frases como “o médico não se responsabiliza por qualquer complicação” não protegem e ainda passam uma imagem ruim para quem lê.

Informar bem é a proteção. Tentar se eximir não é.

Quando revisar

Sempre que você passar a realizar um procedimento novo, mudar a técnica ou incorporar uma tecnologia, o termo daquele procedimento precisa ser revisto. A elaboração de TCLEs personalizados faz parte dos documentos médicos preparados pelo escritório.

Conteúdo informativo. Não substitui a análise do caso concreto por advogado(a).

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